<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0">	<channel>		<title>[arteblog.com.br] dentrodarte : <![CDATA[DENTROD´ARTE]]></title>		<link>http://dentrodarte.arteblog.com.br</link>		<description><![CDATA[DENTROD´ARTE]]></description>		<language>br</language>		<copyright>Copyright (c) 2006, Hi-pi</copyright>		<generator>Hi-pi RSS 2.0 generator</generator>		<docs>http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss</docs>		<pubDate>Fri, 04 Jul 2008 16:24:32 +0200</pubDate>		<item>			<title><![CDATA[Energia tirada do lixo]]></title>			<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><strong>Energia tirada do
lixo</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><strong>Roberto
D´arte</strong></p>
<p class="MsoNormal"></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>    
No segundo filme da trilogia &ldquo;De Volta para o Futuro&rdquo;,
lançado em 1989, a máquina do tempo inventada pelo
Dr. Emmett Brown tem o lixo doméstico como
combustível. Na obra do diretor Robert Zemecckis, <a href=
"http://www.cineplayers.com/perfil.php?id=11732"></a> o futuro
fictício é 2015, que, para nós, já
está bem à porta.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>       Exageros
à parte &ndash; uma vez que o &ldquo;cientista maluco&rdquo;
do filme joga dentro do tanque do veículo cascas de banana,
resto de cerveja e outros produtos tirados da lata de lixo &ndash;
&ldquo;De Volta para o Futuro 2&rdquo; toca num tema absolutamente
atual. É realmente possível transformar em
combustível ou em energia elétrica o lixo que, cada
vez mais, entope depósitos nas cidades do mundo
inteiro?</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>      Recentemente, em
um de seus comentários no telejornal Bom Dia Brasil, da
Globo, a economista Miriam Leitão chamava a
atenção para o fato do Brasil ter índices de
países subdesenvolvidos em termos de saneamento
básico e coleta de lixo, mesmo nas áreas mais ricas
do país. Ela listou uma sucessão de propósitos
positivos para o que hoje é tido como um dos mais graves
problemas ambientais: &ldquo;o lixo pode ser matéria-prima
para as indústrias na reciclagem; se tratado, pode melhorar
a saúde da população e evitar gastos do
sistema de saúde; pode produzir energia e, de quebra, poluir
menos a atmosfera&rdquo;.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>       
Normalmente, o lixo que é depositado nos lixões
não tem tratamento adequado na maioria das cidades (pequena,
médias e grandes). Ele contamina o meio ambiente, espalha
doenças e, ainda por cima, é um desperdício.
Já existe tecnologia para transformar em energia o que
não for reciclado nos lixões. Basta, para isso, que
sejam construídas centrais elétricas que usem o lixo
como matéria-prima.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>        Ainda
em seu comentário, Miriam Leitão questiona por que,
com tanta vantagem, o Brasil ainda tem índices tão
baixos de saneamento e tantos lixões nas cidades? Pela falta
de visão de nossos governantes, respondeu ela
própria. Normalmente, os administradores públicos
preferem obras que apareçam mais. Tratar o esgoto, o lixo,
sempre foi considerado uma obra que ninguém vê, que
não rende dividendos políticos (leiam-se
votos).</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>        
O impressionante é saber que tudo
poderia ser diferente se houvesse no Brasil (e noutras
nações) uma vontade política para reverter
esses problemas básicos. Há bem pouco tempo li uma
reportagem que divulgava uma estimativa tirada do <span style=
"color: black;">Plano Decenal de
Produção de Energia 2008/2017, encomendado
pelo</span> Ministério de Minas
e Energia. De acordo com ela, o<span style=
"color: black;">lixo das 300 maiores cidades brasileiras poderia produzir 15%
da energia elétrica total consumida no país. Uma
saída inteligente, prática e de grande
abrangência.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>        
No Brasil existem hoje usinas e aterros no
Rio de Janeiro e em São Paulo que já transformam lixo
em energia elétrica.<span> </span> Nos locais onde elas
funcionam está mais do que provado que a
transformação de lixo em energia tem duas
conseqüências impactantes: a primeira é
incentivar a armazenagem correta dos resíduos, que passam a
ser matéria-prima (dados do IBGE indicam que 63,3% dos
municípios brasileiros tratam o lixo de forma errada); a
outra é econômica, pois pode gerar créditos de
carbono e favorecer o Brasil nas negociações
internacionais sobre mudanças
climáticas.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>    Existem
saídas para este e outros inúmeros entraves urbanos.
Se não são encontradas é porque não
interessa a alguns poucos melhorar a vida de outros
tantos.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><strong>(publicado no Jornal TRIBUNA LIVRE,
Viçosa-MG, em 4 de julho de 2008)</strong></p>
]]></description>			<link>http://dentrodarte.arteblog.com.br/74029/Energia-tirada-do-lixo/</link>			<comments>http://dentrodarte.arteblog.com.br/Energia-tirada-do-lixo-04072008-161657-lp-74029.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://dentrodarte.arteblog.com.br/74029/Energia-tirada-do-lixo/</guid>			<pubDate>Fri, 04 Jul 2008 16:16:57 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[O gibi do melhor Clube]]></title>			<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><strong>O gibi do melhor Clube</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><strong>Roberto D´arte</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>     </strong>
      </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<strong><span style=
"color: #333399;"><span>         </span>     
E</span></strong><strong><span style=
"font-family: Arial; color: #333399;">m se tratando de arte, tudo
que é realmente bom merece ser divulgado. Quem tem o Clube
da Esquina como uma das melhores referências da Música
Popular Brasileira não pode deixar de conhecer a
história desta turma mineira na versão gibi. Basta ir
lá no site Museu Clube da Esquina (<span style=
"text-decoration: underline;"><a href=
"http://www.museuclubedaesquina.org.br/"><span style=
"color: #333399; text-decoration: none;">www.museuclubedaesquina.org.br</span></a></span>)
e procurar pela seção &ldquo;Clube em
Quadrinhos&rdquo;.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong><span style=
"font-family: Arial; color: #333399;">      </span>
   O projeto, que
tem textos e desenhos elaborados pelo quadrinista Laudo Ferreira
Júnior, é baseado em uma obra fantástica
&ndash; &ldquo;Os Sonhos Não Envelhecem &ndash;
Histórias do Clube da Esquina&rdquo;, do escritor, poeta e
compositor Márcio Borges. Não é um trabalho
necessariamente voltado para o público infantil, embora seja
uma ótima oportunidade para os adultos
&ldquo;clubesquinistas&rdquo; apresentarem a seus filhos,
sobrinhos, afilhados e alunos uma verdadeira história de
amizade, permeada de música, cinema, poesia e
&ldquo;mineiritude&rdquo;.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong><span style=
"font-family: Arial; color: #333399;">          
Lançado em 1996, o livro de Márcio
Borges é uma biografia coletiva, recheada de curiosidades e
fotos tiradas do baú. O seu fio condutor é o
próprio Márcio, que partiu da sua amizade e parceria
com Milton Nascimento (o então Bituca) para contar como
nasceu na Belo Horizonte da década de 70 esse clube sem
paredes, mas de base muito
sólida.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong><span style=
"font-family: Arial; color: #333399;">        
Parte do título da obra é uma referência
à belíssima canção &ldquo;Clube da
Esquina 2&rdquo;, fruto de uma das muitas parcerias entre Milton
Nascimento, Márcio Borges e seu irmão Lô
Borges. &ldquo;Porque se chamavam homens, também se chamavam
sonhos, e sonhos não envelhecem&rdquo;: a frase traduz bem o
espírito do livro enquanto registro das buscas e descobertas
de jovens que perseguiram sonhos simples, como tantos outros sempre
fizeram e ainda o fazem.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong><span style=
"font-family: Arial; color: #333399;">     
A versão em quadrinhos ficou bem interessante, pois seu
autor conseguiu captar a leveza que Márcio consegue imprimir
em suas memórias. Os traços expressivos de Laudo
deram vida a uma ambientação que no livro fica por
conta da imaginação do leitor. Claro que é
sempre muito bom exercitar esta tarefa, mas é gratificante
também ver uma obra literária ser transposta para
outras linguagens artísticas, como o cinema, o teatro e,
neste caso, para os quadrinhos.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong><span style=
"font-family: Arial; color: #333399;">        
Pouco a pouco o quadrinista vai mostrando as versões em
desenho de Milton, Lô, Márcio, Beto Guedes, Fernando
Brant, Toninho Horta, Ronaldo Bastos, Wagner Tiso, Tavito e outros
tantos protagonistas de canções memoráveis e
de um movimento que apontou caminhos originais para a música
brasileira. Foram eles os responsáveis pelo que mais tarde
viria a ser chamado de &ldquo;a música de Minas&rdquo;, com
melodia, temática e estética
próprias.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong><span style=
"font-family: Arial; color: #333399;">     O
Clube da Esquina influenciou e continua influenciando novas
gerações de cantores, compositores e bandas nascidos
em terras mineiras e fora delas. Mais até: seus expoentes
continuam em plena atividade, com trabalhos solos e parcerias que
mantêm cativa uma legião de admiradores no Brasil e no
exterior.</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;">(publicado no Jornal TRIBUNA LIVRE,
Viçosa-MG, em 27 de junho de 2008)</p>
]]></description>			<link>http://dentrodarte.arteblog.com.br/72477/O-gibi-do-melhor-Clube/</link>			<comments>http://dentrodarte.arteblog.com.br/O-gibi-do-melhor-Clube-27062008-185321-lp-72477.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://dentrodarte.arteblog.com.br/72477/O-gibi-do-melhor-Clube/</guid>			<pubDate>Fri, 27 Jun 2008 18:53:21 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[Dias tenebrosos]]></title>			<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><strong>Dias tenebrosos</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><strong>Roberto D'arte</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>         
Apesar de ser bastante difícil a
análise do presente sob a ótica de um historiador,
é bem possível imaginar quão tenebrosas
serão as constatações que farão os
profissionais desta área sobre nossa época. Eles
vão ter um vasto material para teses e mais teses sobre a
banalidade da violência neste início de novo
milênio.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>        
Com os muitos sites de notícias na internet e os telejornais
em tempo integral, a violência salta aos olhos nos quatro
cantos do mundo. Homicídios, suicídios, atentados,
espancamentos, abandonos de bebês, acidentes de
trânsito, guerras civis, desrespeitos aos direitos dos
cidadãos: a barbárie é cotidiana no mundo dos
civilizados, e a luz no fim do túnel, uma utopia cada vez
mais restrita à fé individual.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>         
O que antes era somente obra de ficção em livro ou
filme, ganha vida na rua, em casa, na escola. Possivelmente a
humanidade já teve outras épocas de medo, dor e
desesperança. No entanto, os dias tenebrosos que já
se desenham parecem revelar um caminho sem volta, em cima de campos
minados, de areia movediça.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>        
Os filmes &ldquo;Tempo de Violência&rdquo; (Pulp Fiction) e
&ldquo;Um Dia de Fúria&rdquo; &ndash; duas grandes
produções hollyoodeanas &ndash; abordam o tema
&ldquo;violência cotidiana&rdquo; em suas facetas mais secas.
Seus enredos, totalmente verossímeis, refletem uma faceta da
sociedade norte-americana, mas também trazem a
universalidade deste que já é um dos piores tumores
contemporâneos.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>          
Para as pessoas que optam pelo caminho inverso a tudo isso, a dor
é sempre maior, pois nada consegue ter sentido, e viver em
sociedade passa a ser um desafio diário. O único
antídoto para tornar as coisas mais amenas é a busca
individual de uma espiritualidade que aponte um equilíbrio
constante entre o que se é, o que se quer e o que se pode
realmente ter. Quem consegue enxergar com mais clareza as
entrelinhas da nossa trajetória passada e presente, tem, ao
menos, a possibilidade de fazer certas escolhas, como o modo mais
adequado de vida, o melhor caminho a seguir e as companhias mais
agradáveis.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>          
O problema mesmo é conseguir forças para tentar fazer
algo mais que reflita no coletivo. Afinal, ninguém consegue
se isolar ao ponto de estar imune às
conseqüências sociais de tudo que se faz. Por isso,
nunca é repetitivo demais afirmar que o que acontece ao
nosso redor reflete nossas pequenas ações
corriqueiras. Como negar que tudo o que foi artificialmente
construído teve as mãos e mente do ser humano?
Então, é lógico afirmar que toda a
destruição advinda direta ou indiretamente disso
também tenha seu toque.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>          
A culpa é o pior peso que alguém pode carregar. A
culpa coletiva crônica, por sua vez, é mil vezes pior!
O olhar para os erros do passado somente tem sentido se for com o
intuito de buscar respostas para os acertos no presente e no
futuro. Constatar quando a violência se tornou algo banal e
incontrolável é útil para entendê-la
melhor. No entanto, ficar remoendo suas causas é adiar
sempre as soluções, que podem ser tão humanas
quanto é a própria miséria. Esta é a
base da minha esperança; o princípio da minha
fé.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><strong>(publicado no Jornal TRIBUNA LIVRE,
Viçosa-MG, em 20 de junho de 2008)</strong></p>
]]></description>			<link>http://dentrodarte.arteblog.com.br/71085/Dias-tenebrosos/</link>			<comments>http://dentrodarte.arteblog.com.br/Dias-tenebrosos-20062008-204053-lp-71085.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://dentrodarte.arteblog.com.br/71085/Dias-tenebrosos/</guid>			<pubDate>Fri, 20 Jun 2008 20:40:53 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[Tragicomédia boanovense]]></title>			<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><strong>Tragicomédia
boanovense</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><strong>Roberto
D´arte</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>   
Para quem é natural de pequenas cidades, como eu, nada mais
prazeroso do que lembrar dos &ldquo;causos&rdquo; e personagens
marcantes do lugar. A minha querida Boa Nova-BA foi e continua
sendo cenário de histórias sensacionais, merecedoras
de registros em livros e filmes.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>       Uma das que mais gosto
remonta à década de 1960, quando o teatro ligado ao
Grupo de Jovens da Igreja Católica atingia o seu auge.
Atores e atrizes amadores chegavam a montar por ano até
três peças, sempre apresentadas no Salão
Paroquial da cidade (infelizmente, destruído no
início desta década).</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>   
À frente do grupo, perfeccionista e adepta dos dramas
realistas, estava a saudosa Alice de Sá (carinhosamente
chamada por todos de Dona Licinha). Eram sempre dela as
adaptações de textos bíblicos como &ldquo;O
Filho Pródigo&rdquo;, &ldquo;A Paixão de
Cristo&rdquo; e o &ldquo;Auto de
Natal&rdquo;.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>   
Certa vez a dramaturga boanovense resolveu abordar um tema bastante
difícil, forçando seus alunos a mergulharem fundo em
textos do Livro do Apocalipse. Era consenso de que o fim do mundo
seria mostrado de forma dramática e realista, principalmente
em seu final, com o planeta sendo destruído com a
fúria da natureza. Na leitura de Dona Licinha, no entanto,
haveria uma chance para os humildes e inocentes, que sobreviveriam
ao castigo divino.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>        Diretora e elenco
acharam que era hora de inovar. Decidiram achar de qualquer jeito
alguém para simbolizar os escolhidos que, em nome de Deus,
continuariam a jornada humana na Terra. Não queriam um ator
ou atriz já conhecido do público da cidade. Queriam
uma pessoa do povo, realmente simples, que sequer precisasse de
figurino e maquiagem para convencer a
platéia.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>       Foi preciso quase uma
semana de busca para se chegar a um rosto que parecia perfeito para
as pretensões do grupo. Os
&ldquo;caça-talentos&rdquo; estavam certos de que
Maria-da-Lata iria emocionar a todos ao sair debaixo dos escombros
cenográficos na derradeira cena do espetáculo
&ldquo;O Fim do Mundo&rdquo;. Aquela mulher humilde, rude e de
olhar sofrido era uma das tantas carregadoras de água que
enchiam os tanques das casas em troca de qualquer dinheiro. Fazia
inúmeras viagens por dia com uma grande lata na
cabeça até o local que naquela época era
chamado &ldquo;Bixiguento&rdquo; (uma espécie de cisterna de
uso coletivo). Vale registrar que até então Boa Nova
não possuía um serviço oficial de
abastecimento de água nas
residências.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>        Analfabeta e de
poucas palavras, Maria-da-Lata não foi convencida facilmente
a participar da peça. Relutou o quanto pôde,
argumentando que nunca tinha ouvido falar desse
&ldquo;tal-de-teatro&rdquo;. Terminou fisgada pela boca; ganhou o
equivalente a uma cesta básica para compensar os dias que
perderia ensaiando. Sua participação, na verdade,
seria muito rápida e sua fala, apenas duas palavras. Ela
teria tão-somente que decorar a seguinte
seqüência: sair debaixo dos escombros, após a
tenebrosa catástrofe do fim do mundo; encarar a
platéia e dizer: &ldquo;escapei milagrosamente!&rdquo;.
Depois disso as cortinas se fechariam e o espetáculo
terminaria.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>      Um mês após
intensivos ensaios e divulgação nos quatro cantos da
cidade, eis que o Salão Paroquial ficou superlotado, com
gente do lado de fora clamando para entrar. A peça se
desenrolou com muita competência do elenco, revelando uma
história tão dramática que aqueles que
não levaram lenços tiveram que enxugar as
lágrimas com as mãos.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>    A
cena final, então, quanto realismo! Os contra-regras, nos
bastidores, tratavam de reproduzir com perfeição os
roncos dos trovões (feitos com tambores e
folhas-de-flandres), os raios que caíam sem parar
(minuciosamente calculados com lanternas e espelhos), as pedras
enormes (confeccionadas em isopor e papelão) e uma imensa
nuvem de poeira (produzida com talco e
pó-de-serra).</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>     Conforme havia ensaiado
inúmeras vezes, Maria-da-Lata entrou rastejando no palco em
meio a uma escuridão completa; naquele instante o
silêncio no recinto era sepulcral. Em seguida, uma luz suave
iluminou aos poucos o rosto daquela pobre mulher, que se levantou,
caminhou até a frente do palco e lançou um olhar fixo
para o público. Com os braços e a cabeça
erguidos na direção do céu, a personagem de
Maria-da-Lata finalmente gritou em júbilo: &ldquo;milagrei
escaposamente!!!&rdquo;</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>     Os que estiveram no Salão
Paroquial naquela inesquecível noite disseram que foi
preciso mais de meia hora para que a platéia parasse de rir.
Há quem diga que aconteceu o mesmo com os que estavam nas
coxias e camarins, com exceção de Dona
Licinha.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><strong>(publicado no Jornal TRIBUNA
LIVRE, Viçosa-MG, em 13 de junho de
2008)</strong></p>
]]></description>			<link>http://dentrodarte.arteblog.com.br/69582/Tragicomedia-boanovense/</link>			<comments>http://dentrodarte.arteblog.com.br/Tragicomedia-boanovense-13062008-161607-lp-69582.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://dentrodarte.arteblog.com.br/69582/Tragicomedia-boanovense/</guid>			<pubDate>Fri, 13 Jun 2008 16:16:07 +0200</pubDate>		</item>		<item>			<title><![CDATA[Escravos do vil metal]]></title>			<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><strong>Escravos do vil metal</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><strong>Roberto D'arte</strong></p>
<p class="MsoNormal"></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>          
Direta ou indiretamente, quase
todas as mazelas do mundo estão ligadas ao dinheiro. Ele
determina destinos, define classes e posições sociais
e é o principal responsável pela noção
mais corriqueira de felicidade.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>            
A tese de que todas as pessoas têm seu preço parece se
confirmar a cada nova operação policial em torno de
esquemas de corrupção envolvendo políticos,
empresários, servidores públicos e mesmo
cidadãos tidos como insuspeitos. O valor estipulado para a
compra do caráter de cada um depende da sua
ambição ou necessidade. Há quem deseje todo
dinheiro que for possível, não importando quais sejam
as fontes. Outros aceitam participar de golpes pequenos e
localizados para saldar dívidas miúdas. Outros tantos
sequer se permitem trilhar os caminhos honestos para adquirir
dinheiro limpo; escolhem o mundo do crime &ndash; com roubos,
estelionatos, seqüestros e assassinatos &ndash; e destroem
qualquer um que seja visto como
obstáculo.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>         
  Felizmente, a tese do preço de cada um não se
aplica a todos. Há muitos, em todas as nações
e culturas, que insistem em acreditar no que há de melhor no
ser humano. Estes aceitam o dinheiro como o referencial
econômico e social para o qual foi criado. Preparam-se e se
esforçam para receber o que consideram justo a uma
sobrevivência digna, e usam o que devem com o mesmo senso de
justiça. Os deste grupo são capazes de olhar para as
notas que carregam na carteira e dizer com convicção
quem manda em quem.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>         
Não por acaso o dinheiro já foi chamado de vil metal.
Como sinônimo de reles, ordinário, mesquinho,
miserável, insignificante, desprezível, infame, a
palavra &ldquo;vil&rdquo; atrelada ao dinheiro é uma maneira
de se chamar a atenção para a armadilha que se tornou
esta invenção humana. É certo que tais
adjetivos são talhados apenas a nós, e que o dinheiro
em si representa somente o valor que damos a ele. No entanto, os
objetos sempre foram motivos de idolatria para o homem,
principalmente quando associados a algum tipo de poder. Muitos
sãos os que choram pelos carros consumidos em acidentes
antes mesmo de se lamentarem pelas vidas perdidas
neles.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>           
O que são ouro, prata e pedras preciosas senão
minerais marcados com valores de comércio? Dá para
entender por que tantas pessoas morreram nesses milhares anos de
nossa história por causa deles? Imagino que muitos possam
achar bem ridículo o que ressalto aqui, mas mesmo esta
sensação faz parte de algo cristalizado em nossa
cultura. Quem se dá ao trabalho de questionar que uma moeda
é apenas um metal e que uma nota de 100 reais é
tão-somente papel? Afinal, louco é quem rasga
dinheiro, e não quem se espanta com o fato de uma vida valer
praticamente nada.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong>        
Vivemos a era da mais abrangente evolução material e
tecnológica de toda a história da humanidade. Por
outro lado, testemunhamos um período tenebroso de
barbáries, destruições e de encolhimento
espiritual. Numa época em que se mata por um tênis, em
que se desviam milhões dos cofres públicos por
luxúria e sede de poder e em que se fazem absurdos por
dinheiro num programa de TV, o que esperar de sentimentos como
compaixão, dignidade, solidariedade? É certo que
dependemos do bem estar material para nos mantermos dignos e
solidários, e nisso o dinheiro é um referencial
importante. A diferença está na liberdade em
usá-lo apenas como passaporte e na escravidão advinda
dele.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: center;"><strong>(publicado no Jornal TRIBUNA LIVRE,
Viçosa-MG, em 6 de junho de 2008)</strong></p>
]]></description>			<link>http://dentrodarte.arteblog.com.br/68261/Escravos-do-vil-metal/</link>			<comments>http://dentrodarte.arteblog.com.br/Escravos-do-vil-metal-06062008-140353-lp-68261.php#lienpermanent</comments>			<guid>http://dentrodarte.arteblog.com.br/68261/Escravos-do-vil-metal/</guid>			<pubDate>Fri, 06 Jun 2008 14:03:53 +0200</pubDate>		</item>	</channel></rss>