<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom">		<title>http://dentrodarte.arteblog.com.br</title>		<id>http://arteblog.com.br/</id>		<link rel="self" type="application/atom+xml" href="http://dentrodarte.arteblog.com.br/atom.xml" />		<subtitle><![CDATA[DENTROD´ARTE]]></subtitle>		<rights>Copyright (c) 2006, Hi-pi</rights>		<generator>Hi-pi ATOM generator</generator>		<author>			<name>Hi-pi</name>			<uri>http://dentrodarte.arteblog.com.br</uri>		</author>		<updated>2008-07-17T16:32:14+02:00</updated>		<entry>			<title>O bom aventureiro</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><strong>O bom
aventureiro</strong></p>
<p><strong>Roberto
Darte</strong></p>
<p></p>
<p> <strong>Houve
epocas na historia da humanidade em que ser chamado
de aventureiro era sinonimo de elogio. Significava ter
coragem para vagar o mundo, enfrentar o desconhecido, lidar com o
perigo, nos moldes dos grandes herois gregos ou de Dom
Quixote de La Mancha. Os melhores dicionarios definem o
aventureiro, neste prisma, como aquele que ama a aventura,
que e ousado, audacioso.</strong></p>
<p><strong> A palavra
ja ha algum tempo carrega um significado pejorativo;
algo que tambem consta nos dicionarios. Aventureiro
ai significa aquele que no tem meios de vida,
que vive de expedientes, dos acasos da sorte. Assim,
ninguem gosta de ser chamado de aventureiro, muito menos de
ser comparado a um.</strong></p>
<p><strong> Felizmente, isso
no vale para o fotografo e ambientalista
viosense <span>Jose Geraldo de Souza Castro (Ze do Pedal),
que, aos 50 anos, vivencia mais uma grande aventura internacional,
desta vez a bordo de um kart a pedal. Ele, que em 1982 ja
rodava o mundo numa bicicleta, agora segue em direo
a Africa do Sul para, em 2010, assistir a Copa
do Mundo de Futebol. Seu roteiro, iniciado em 10 de maio
ultimo na Torre Eifel, em Paris, inclui vinte paises
da Europa e da Africa, num total de mais de 18 mil
quilometros.</span></strong></p>
<p><span><strong> No momento ele se
encontra fazendo o Caminho de Santiago de Compostela pela via
portuguesa, depois de te-lo terminado pela via francesa (uma
interrupo no trajeto planejado para realizar um
sonho antigo, segundo ja declarou). No dia 15 de julho
Ze do Pedal completa 51 anos em terras portuguesas,
comemorando sozinho ou entre novos amigos, como em outros
aniversarios passados nas tantas naes
diferentes que ja percorreu, seja de velocipede ou,
por mares e rios, num parco a
pedal.</strong></span></p>
<p><span><strong>
Ze e daquelas pessoas raras, movidas a bondade e a
leveza de espirito. Quem o conhece no estranha
ve-lo se dirigir as pessoas como
irm. Uma forma
de se relacionar que nada tem a ver com religio, e sim com
sua viso esta, diga-se de passagem,
genuinamente otimista. Sempre que me dirigi a ele para perguntar
como estava, ouvi, como resposta, um maravilhosamente
bem. Ha os que chegam a dizer, em tom de brincadeira,
que provavelmente Ze do Pedal, se estiver em alto mar, em
meio a uma forte tempestade, respondera o mesmo a um
hipotetico interlocutor.</strong></span></p>
<p><span><strong> Sem
qualquer curso que pudesse lhe conferir o titulo de
ambientalista, esse aventureiro fez e faz das suas viagens
nacionais e internacionais reais motivos para chamar a
ateno das pessoas para problemas ambientais e
sociais. Assim foi em suas aventuras a barco pelo Rio So
Francisco (da nascente a foz), pelos mares das tres
Americas (viagem abortada na America Central por
conta de uma serie de furaces) e pela Baia de
Guanabara (em um barco a pedal feito de garrafas
pet).</strong></span></p>
<p><span><strong> Na
atual aventura a sua causa principal e chamar a
ateno da comunidade internacional sobre dois dos
maiores problemas que afetam a visas no
mundo inteiro, principalmente nos paises mais pobres: a
catarata e o glaucoma. Como assessor para o Meio Ambiente do Lions
Clube de Viosa, ele pretende conseguir fundos para o
programa Sigth First, do Lions Clube
Internacional.</strong></span></p>
<p><span><strong> Suas
viagens sempre rendem fotos fantasticas, que terminam se
transformando em exposies voltadas, principalmente,
para a conscientizao do publico estudantil
de todas as idades. Ze do Pedal sempre sera para mim
um simbolo do que ainda se pode chamar de bom aventureiro.
Alguem que n
alguem que foge do personalismo e que acredita naquela
maxima, hoje to esquecida, de que uma pessoa pode,
sim, fazer a diferena no
mundo.</strong></span></p>
<p><strong>(publicado no Jornal TRIBUNA LIVRE, Viosa-MG, em
11 de julho de 2008)</strong></p>
				</div>			</content>			<id>http://dentrodarte.arteblog.com.br/76291/O-bom-aventureiro/</id>			<link href="http://dentrodarte.arteblog.com.br/76291/O-bom-aventureiro/" />			<author>				<name>dentrodarte</name>				<uri>http://dentrodarte.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2008-07-17T16:29:54+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Energia tirada do lixo</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><strong>Energia tirada do
lixo</strong></p>
<p></p>
<p><strong>Roberto
Darte</strong></p>
<p></p>
<p><strong>
No segundo filme da trilogia De Volta para o Futuro,
lanado em 1989, a maquina do tempo inventada pelo
Dr. Emmett Brown tem o lixo domestico como
combustivel. Na obra do diretor Robert Zemecckis,  o futuro
ficticio e 2015, que, para nos, ja
esta bem a porta.</strong></p>
<p><strong> Exageros
a parte  uma vez que o cientista maluco
do filme joga dentro do tanque do veiculo cascas de banana,
resto de cerveja e outros produtos tirados da lata de lixo 
De Volta para o Futuro 2 toca num tema absolutamente
atual. E realmente possivel transformar em
combustivel ou em energia eletrica o lixo que, cada
vez mais, entope depositos nas cidades do mundo
inteiro?</strong></p>
<p><strong> Recentemente, em
um de seus comentarios no telejornal Bom Dia Brasil, da
Globo, a economista Miriam Leito chamava a
ateno para o fato do Brasil ter indices de
paises subdesenvolvidos em termos de saneamento
basico e coleta de lixo, mesmo nas areas mais ricas
do pais. Ela listou uma sucesso de propositos
positivos para o que hoje e tido como um dos mais graves
problemas ambientais: o lixo pode ser materia-prima
para as industrias na reciclagem; se tratado, pode melhorar
a saude da populao e evitar gastos do
sistema de saude; pode produzir energia e, de quebra, poluir
menos a atmosfera.</strong></p>
<p><strong>
Normalmente, o lixo que e depositado nos lixes
no tem tratamento adequado na maioria das cidades (pequena,
medias e grandes). Ele contamina o meio ambiente, espalha
doenas e, ainda por cima, e um desperdicio.
Ja existe tecnologia para transformar em energia o que
nes. Basta, para isso, que
sejam construidas centrais eletricas que usem o lixo
como materia-prima.</strong></p>
<p><strong> Ainda
em seu comentario, Miriam Leito questiona por que,
com tanta vantagem, o Brasil ainda tem indices to
baixos de saneamento e tantos lixes nas cidades? Pela falta
de viso de nossos governantes, respondeu ela
propria. Normalmente, os administradores publicos
preferem obras que apaream mais. Tratar o esgoto, o lixo,
sempre foi considerado uma obra que ninguem ve, que
no rende dividendos politicos (leiam-se
votos).</strong></p>
<p><strong>
O impressionante e saber que tudo
poderia ser diferente se houvesse no Brasil (e noutras
naes) uma vontade politica para reverter
esses problemas basicos. Ha bem pouco tempo li uma
reportagem que divulgava uma estimativa tirada do <span>Plano Decenal de
Produo de Energia 2008/2017, encomendado
pelo</span> Ministerio de Minas
e Energia. De acordo com ela, o<span>lixo das 300 maiores cidades brasileiras poderia produzir 15%
da energia eletrica total consumida no pais. Uma
saida inteligente, pratica e de grande
abrangencia.</span></strong></p>
<p><strong>
No Brasil existem hoje usinas e aterros no
Rio de Janeiro e em So Paulo que ja transformam lixo
em energia eletrica.<span></span> Nos locais onde elas
funcionam esta mais do que provado que a
transformao de lixo em energia tem duas
consequencias impactantes: a primeira e
incentivar a armazenagem correta dos residuos, que passam a
ser materia-prima (dados do IBGE indicam que 63,3% dos
municipios brasileiros tratam o lixo de forma errada); a
outra e economica, pois pode gerar creditos de
carbono e favorecer o Brasil nas negociaes
internacionais sobre mudanas
climaticas.</strong></p>
<p><strong> Existem
saidas para este e outros inumeros entraves urbanos.
Se no
interessa a alguns poucos melhorar a vida de outros
tantos.</strong></p>
<p><strong>(publicado no Jornal TRIBUNA LIVRE,
Viosa-MG, em 4 de julho de 2008)</strong></p>
				</div>			</content>			<id>http://dentrodarte.arteblog.com.br/74029/Energia-tirada-do-lixo/</id>			<link href="http://dentrodarte.arteblog.com.br/74029/Energia-tirada-do-lixo/" />			<author>				<name>dentrodarte</name>				<uri>http://dentrodarte.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2008-07-04T16:24:02+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>O gibi do melhor Clube</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><strong>O gibi do melhor Clube</strong></p>
<p><strong>Roberto Darte</strong></p>
<p><strong></strong>
</p>
<p>
<strong><span><span>
E</span></strong><strong><span>m se tratando de arte, tudo
que e realmente bom merece ser divulgado. Quem tem o Clube
da Esquina como uma das melhores referencias da Musica
Popular Brasileira no pode deixar de conhecer a
historia desta turma mineira na verso gibi. Basta ir
la no site Museu Clube da Esquina (<span><span>www.museuclubedaesquina.org.br</span></span>)
e procurar pela seo Clube em
Quadrinhos.</span></strong></p>
<p><strong><span></span>
O projeto, que
tem textos e desenhos elaborados pelo quadrinista Laudo Ferreira
Junior, e baseado em uma obra fantastica
 Os Sonhos No Envelhecem 
Historias do Clube da Esquina, do escritor, poeta e
compositor Marcio Borges. No e um trabalho
necessariamente voltado para o publico infantil, embora seja
uma otima oportunidade para os adultos
clubesquinistas apresentarem a seus filhos,
sobrinhos, afilhados e alunos uma verdadeira historia de
amizade, permeada de musica, cinema, poesia e
mineiritude.</strong></p>
<p><strong><span>
Lanado em 1996, o livro de Marcio
Borges e uma biografia coletiva, recheada de curiosidades e
fotos tiradas do bau. O seu fio condutor e o
proprio Marcio, que partiu da sua amizade e parceria
com Milton Nascimento (o ento Bituca) para contar como
nasceu na Belo Horizonte da decada de 70 esse clube sem
paredes, mas de base muito
solida.</span></strong></p>
<p><strong><span>
Parte do titulo da obra e uma referencia
a belissima cano Clube da
Esquina 2, fruto de uma das muitas parcerias entre Milton
Nascimento, Marcio Borges e seu irmo Lo
Borges. Porque se chamavam homens, tambem se chamavam
sonhos, e sonhos no envelhecem: a frase traduz bem o
espirito do livro enquanto registro das buscas e descobertas
de jovens que perseguiram sonhos simples, como tantos outros sempre
fizeram e ainda o fazem.</span></strong></p>
<p><strong><span>
A verso em quadrinhos ficou bem interessante, pois seu
autor conseguiu captar a leveza que Marcio consegue imprimir
em suas memorias. Os traos expressivos de Laudo
deram vida a uma ambientao que no livro fica por
conta da imaginao do leitor. Claro que e
sempre muito bom exercitar esta tarefa, mas e gratificante
tambem ver uma obra literaria ser transposta para
outras linguagens artisticas, como o cinema, o teatro e,
neste caso, para os quadrinhos.</span></strong></p>
<p><strong><span>
Pouco a pouco o quadrinista vai mostrando as verses em
desenho de Milton, Lo, Marcio, Beto Guedes, Fernando
Brant, Toninho Horta, Ronaldo Bastos, Wagner Tiso, Tavito e outros
tantos protagonistas de canes memoraveis e
de um movimento que apontou caminhos originais para a musica
brasileira. Foram eles os responsaveis pelo que mais tarde
viria a ser chamado de a musica de Minas, com
melodia, tematica e estetica
proprias.</span></strong></p>
<p><strong><span> O
Clube da Esquina influenciou e continua influenciando novas
geraes de cantores, compositores e bandas nascidos
em terras mineiras e fora delas. Mais ate: seus expoentes
continuam em plena atividade, com trabalhos solos e parcerias que
mantem cativa uma legio de admiradores no Brasil e no
exterior.</span></strong></p>
<p>(publicado no Jornal TRIBUNA LIVRE,
Viosa-MG, em 27 de junho de 2008)</p>
				</div>			</content>			<id>http://dentrodarte.arteblog.com.br/72477/O-gibi-do-melhor-Clube/</id>			<link href="http://dentrodarte.arteblog.com.br/72477/O-gibi-do-melhor-Clube/" />			<author>				<name>dentrodarte</name>				<uri>http://dentrodarte.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2008-06-27T18:56:26+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Dias tenebrosos</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><strong>Dias tenebrosos</strong></p>
<p></p>
<p><strong>Roberto D'arte</strong></p>
<p></p>
<p><strong>
Apesar de ser bastante dificil a
analise do presente sob a otica de um historiador,
e bem possivel imaginar quo tenebrosas
sero os
profissionais desta area sobre nossa epoca. Eles
vo ter um vasto material para teses e mais teses sobre a
banalidade da violencia neste inicio de novo
milenio.</strong></p>
<p><strong>
Com os muitos sites de noticias na internet e os telejornais
em tempo integral, a violencia salta aos olhos nos quatro
cantos do mundo. Homicidios, suicidios, atentados,
espancamentos, abandonos de bebes, acidentes de
transito, guerras civis, desrespeitos aos direitos dos
cidados: a barbarie e cotidiana no mundo dos
civilizados, e a luz no fim do tunel, uma utopia cada vez
mais restrita a fe individual.</strong></p>
<p><strong>
O que antes era somente obra de fico em livro ou
filme, ganha vida na rua, em casa, na escola. Possivelmente a
humanidade ja teve outras epocas de medo, dor e
desesperana. No entanto, os dias tenebrosos que ja
se desenham parecem revelar um caminho sem volta, em cima de campos
minados, de areia movedia.</strong></p>
<p><strong>
Os filmes Tempo de Violencia (Pulp Fiction) e
Um Dia de Furia  duas grandes
produes hollyoodeanas  abordam o tema
violencia cotidiana em suas facetas mais secas.
Seus enredos, totalmente verossimeis, refletem uma faceta da
sociedade norte-americana, mas tambem trazem a
universalidade deste que ja e um dos piores tumores
contemporaneos.</strong></p>
<p><strong>
Para as pessoas que optam pelo caminho inverso a tudo isso, a dor
e sempre maior, pois nada consegue ter sentido, e viver em
sociedade passa a ser um desafio diario. O unico
antidoto para tornar as coisas mais amenas e a busca
individual de uma espiritualidade que aponte um equilibrio
constante entre o que se e, o que se quer e o que se pode
realmente ter. Quem consegue enxergar com mais clareza as
entrelinhas da nossa trajetoria passada e presente, tem, ao
menos, a possibilidade de fazer certas escolhas, como o modo mais
adequado de vida, o melhor caminho a seguir e as companhias mais
agradaveis.</strong></p>
<p><strong>
O problema mesmo e conseguir foras para tentar fazer
algo mais que reflita no coletivo. Afinal, ninguem consegue
se isolar ao ponto de estar imune as
consequencias sociais de tudo que se faz. Por isso,
nunca e repetitivo demais afirmar que o que acontece ao
nosso redor reflete nossas pequenas aes
corriqueiras. Como negar que tudo o que foi artificialmente
construido teve as mos e mente do ser humano?
Ento, e logico afirmar que toda a
destruio advinda direta ou indiretamente disso
tambem tenha seu toque.</strong></p>
<p><strong>
A culpa e o pior peso que alguem pode carregar. A
culpa coletiva cronica, por sua vez, e mil vezes pior!
O olhar para os erros do passado somente tem sentido se for com o
intuito de buscar respostas para os acertos no presente e no
futuro. Constatar quando a violencia se tornou algo banal e
incontrolavel e util para entende-la
melhor. No entanto, ficar remoendo suas causas e adiar
sempre as soluo humanas
quanto e a propria miseria. Esta e a
base da minha esperan o principio da minha
fe.</strong></p>
<p><strong>(publicado no Jornal TRIBUNA LIVRE,
Viosa-MG, em 20 de junho de 2008)</strong></p>
				</div>			</content>			<id>http://dentrodarte.arteblog.com.br/71085/Dias-tenebrosos/</id>			<link href="http://dentrodarte.arteblog.com.br/71085/Dias-tenebrosos/" />			<author>				<name>dentrodarte</name>				<uri>http://dentrodarte.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2008-06-20T20:40:37+02:00</updated>		</entry>		<entry>			<title>Tragicomédia boanovense</title>			<content type="xhtml">				<div xmlns="http://www.w3.org/1999/xhtml">				<p><strong>Tragicomedia
boanovense</strong></p>
<p></p>
<p><strong>Roberto
Darte</strong></p>
<p></p>
<p><strong>
Para quem e natural de pequenas cidades, como eu, nada mais
prazeroso do que lembrar dos causos e personagens
marcantes do lugar. A minha querida Boa Nova-BA foi e continua
sendo cenario de historias sensacionais, merecedoras
de registros em livros e filmes.</strong></p>
<p><strong> Uma das que mais gosto
remonta a decada de 1960, quando o teatro ligado ao
Grupo de Jovens da Igreja Catolica atingia o seu auge.
Atores e atrizes amadores chegavam a montar por ano ate
tres peo
Paroquial da cidade (infelizmente, destruido no
inicio desta decada).</strong></p>
<p><strong>
A frente do grupo, perfeccionista e adepta dos dramas
realistas, estava a saudosa Alice de Sa (carinhosamente
chamada por todos de Dona Licinha). Eram sempre dela as
adaptaes de textos biblicos como O
Filho Prodigo, A Paixo de
Cristo e o Auto de
Natal.</strong></p>
<p><strong>
Certa vez a dramaturga boanovense resolveu abordar um tema bastante
dificil, forando seus alunos a mergulharem fundo em
textos do Livro do Apocalipse. Era consenso de que o fim do mundo
seria mostrado de forma dramatica e realista, principalmente
em seu final, com o planeta sendo destruido com a
furia da natureza. Na leitura de Dona Licinha, no entanto,
haveria uma chance para os humildes e inocentes, que sobreviveriam
ao castigo divino.</strong></p>
<p><strong> Diretora e elenco
acharam que era hora de inovar. Decidiram achar de qualquer jeito
alguem para simbolizar os escolhidos que, em nome de Deus,
continuariam a jornada humana na Terra. No queriam um ator
ou atriz ja conhecido do publico da cidade. Queriam
uma pessoa do povo, realmente simples, que sequer precisasse de
figurino e maquiagem para convencer a
plateia.</strong></p>
<p><strong> Foi preciso quase uma
semana de busca para se chegar a um rosto que parecia perfeito para
as pretenses do grupo. Os
caa-talentos estavam certos de que
Maria-da-Lata iria emocionar a todos ao sair debaixo dos escombros
cenograficos na derradeira cena do espetaculo
O Fim do Mundo. Aquela mulher humilde, rude e de
olhar sofrido era uma das tantas carregadoras de agua que
enchiam os tanques das casas em troca de qualquer dinheiro. Fazia
inumeras viagens por dia com uma grande lata na
cabea ate o local que naquela epoca era
chamado Bixiguento (uma especie de cisterna de
uso coletivo). Vale registrar que ate ento Boa Nova
no oficial de
abastecimento de agua nas
residencias.</strong></p>
<p><strong> Analfabeta e de
poucas palavras, Maria-da-Lata no foi convencida facilmente
a participar da pea. Relutou o quanto pode,
argumentando que nunca tinha ouvido falar desse
tal-de-teatro. Terminou fisgada pela boca; ganhou o
equivalente a uma cesta basica para compensar os dias que
perderia ensaiando. Sua participao, na verdade,
seria muito rapida e sua fala, apenas duas palavras. Ela
teria to-somente que decorar a seguinte
sequencia: sair debaixo dos escombros, apos a
tenebrosa catastrofe do fim do mundo; encarar a
plateia e dizer: escapei milagrosamente!.
Depois disso as cortinas se fechariam e o espetaculo
terminaria.</strong></p>
<p><strong> Um mes apos
intensivos ensaios e divulgao nos quatro cantos da
cidade, eis que o Salo Paroquial ficou superlotado, com
gente do lado de fora clamando para entrar. A pea se
desenrolou com muita competencia do elenco, revelando uma
historia to dramatica que aqueles que
nos tiveram que enxugar as
lagrimas com as mos.</strong></p>
<p><strong> A
cena final, ento, quanto realismo! Os contra-regras, nos
bastidores, tratavam de reproduzir com perfeio os
roncos dos troves (feitos com tambores e
folhas-de-flandres), os raios que caiam sem parar
(minuciosamente calculados com lanternas e espelhos), as pedras
enormes (confeccionadas em isopor e papelo) e uma imensa
nuvem de poeira (produzida com talco e
po-de-serra).</strong></p>
<p><strong> Conforme havia ensaiado
inumeras vezes, Maria-da-Lata entrou rastejando no palco em
meio a uma escurid naquele instante o
silencio no recinto era sepulcral. Em seguida, uma luz suave
iluminou aos poucos o rosto daquela pobre mulher, que se levantou,
caminhou ate a frente do palco e lanou um olhar fixo
para o publico. Com os braa
erguidos na direo do ceu, a personagem de
Maria-da-Lata finalmente gritou em jubilo: milagrei
escaposamente!!!</strong></p>
<p><strong>o
Paroquial naquela inesquecivel noite disseram que foi
preciso mais de meia hora para que a plateia parasse de rir.
Ha quem diga que aconteceu o mesmo com os que estavam nas
coxias e camarins, com exceo de Dona
Licinha.</strong></p>
<p><strong>(publicado no Jornal TRIBUNA
LIVRE, Viosa-MG, em 13 de junho de
2008)</strong></p>
				</div>			</content>			<id>http://dentrodarte.arteblog.com.br/69582/Tragicomedia-boanovense/</id>			<link href="http://dentrodarte.arteblog.com.br/69582/Tragicomedia-boanovense/" />			<author>				<name>dentrodarte</name>				<uri>http://dentrodarte.arteblog.com.br</uri>			</author>			<updated>2008-06-13T16:15:48+02:00</updated>		</entry></feed>